Espaço de exposição e comercialização de produtos de setores criativos como artesanato, cultura indígena, artes visuais, publicações e mídias impressas, acessórios de moda e gastronomias.

No campo do artesanato comercializa produtos artesanais e manualidades criados e produzidos por mestres e empreendedores criativos de 43 municípios do Estado do Pará, contemplando diversas tipologias, onde se destacam: cerâmica, cuia, cestaria, sucata marinha, tururi, encauchados, miriti, balata, fibras, madeira dentre outros. Neste espaço, são comercializados, também, produtos de expressões culturais, audiovisuais, literatura, gastronomia e criações culturais e funcionais.

Tipologias de Artesanato

1. Miriti

O Miriti (Mauritia flexuosa) é uma palmeira de grande porte, comum na paisagem das áreas inundadas da região amazônica, como várzeas e igapós. Pode atingir até 35m de altura e o diâmetro do tronco pode medir até 80 cm.

Devido à leveza da parte interna do tronco é conhecida como isopor da Amazônia. Dela se aproveita tudo: palha para cobertura de casas, fruto para confecção de doces, vinho e licores, tala para cestaria, folhas para confecção de cordas e o tronco para produção de canoas, brinquedos e esculturas. É matéria prima usada por várias etnias indígenas. Possui folhas grandes, em formato de estrela. As flores são dispostas em longos cachos de até 3m de comprimento, e têm coloração amarelada, surgindo no período de dezembro a abril.

O brinquedo de miriti é um artesanato típico do município de Abaetetuba, localizado na região do Baixo Tocantins. A confecção dos brinquedos começa com a coleta dos talos (braços) da palmeira, onde estão as folhagens, no meio da mata. O miriti escolhido é de preferência jovem. Retirada a casca, os artesãos, com ferramentas rústicas (normalmente facas e facões) esculpem e montam peças. Alguns se especializam na confecção de barcos, e outros em bonecos de dançarinos, cobras, jacarés, pássaros, insetos e aviões. Depois de prontas e as partes coladas e secas, é aplicada a pintura final.

2. Balata

A balata (Manilkara bidentata) é retirada da árvore da família das sapotáceas, encontrada no Baixo Amazonas, oeste do Pará, principalmente na região dos rios Erepecuru, Curuá, Maicuru e Purus. A balateira, quando tem seu caule sangrado, expele o látex que fornece uma goma elástica, coletada em caixas, formando blocos de cerca de 40 kg. Os blocos são transportados do alto da serra pelos rios, até a cidade de Monte Alegre (PA), onde são comercializados.

Esses blocos, já nas mãos dos artesãos, passam ainda por um processo de limpeza, sendo cortados em pedaços menores. Eles trabalham com pedaços aquecidos menores em água morna em banho-maria, tornando a balata maleável, o que permite a modelagem de animais da fauna amazônica, como botos, pirarucus, tartarugas, búfalos, macacos, cobras, além de índios, canoas, ocas, vaqueiros e outros personagens da região.

3. Cerâmica

Uma das expressões mais conhecidas do artesanato paraense é a cerâmica, produzidas de forma rudimentar em argila, caracterizada pela exuberância e variedade de produtos. Destacam-se a cerâmica marajoara, tapajônica e maracá.

A cerâmica marajoara é inspirada na Civilização Marajoara, formada por povos que viveram às margens do Lago Arari, no Arquipélago do Marajó. A cerâmica caracteriza-se por traços simétricos e harmoniosos, com a utilização de pintura vermelha e preta sobre engobo branco, em baixo e alto relevo, entalhes, aplicações e outras técnicas.

A cerâmica tapajônica é o único legado dos índios Tapajós, que viveram ao longo do Rio Tapajós, entre os séculos XVI e XVIII, sendo sua origem desconhecida. Caracteriza-se por ser uma cerâmica tridimensional, feita com uma mistura de cauxi e cariapé, representando figuras humanas e de animais em vasos cariátides, gargalo, ídolos, pratos e outros formatos.

4. Cuia

Fruto da cuieira (Crescentia cujete), é encontrada em terrenos de várzea da Amazônia. As cuias, não comestíveis, são colhidas com as mãos, uma a uma, partidas ao meio com o facão para retirada do miolo e raspagem da parte interna. São lixadas com escamas de pirarucu, interna e externamente, e alisadas, externamente, com folha de imbaúba. Depois de secas ao sol, são tingidas com o cumatê e colocadas em repouso, sob a ação de amônia. Já enegrecidas, são lavadas, secas e decoradas com desenhos, riscados ou pinturas. As cuias são peças utilitárias da cultura paraense. Nelas são tomados o açaí e o tacacá. Pode ser utilizada também como peça decorativa.

5. Fibras

Fibra é a denominação genérica de qualquer estrutura filamentosa, geralmente sob a forma de feixe, encontrada em tecidos de origem animal e vegetal, ou em algumas substâncias minerais. São matérias primas moles ou flexíveis, que quando trançadas possuem diversos usos, principalmente na manufatura de cestarias, peças decorativas e utilitárias. Entre as fibras mais usadas em artesanato paraense estão a de tucumã, curauá, arumã e jacitara.

6. Encauchados de vegetais

Os encauchados têm origem na cultura indígena e são conhecidos como borracha da Amazônia. É uma técnica de impermeabilização de tecido com o uso do látex da árvore caucho (Castilloa ulei), para a fabricação de uma série de produtos, como vasos, roupas, bolsas, sapatos, suplás, porta-copos e outros produtos.

7. Madeira

As madeiras utilizadas no artesanato são selecionadas em função da sua textura, tonalidade e beleza de seus veios. Os objetos confeccionados em torno utilizam várias espécies, como Pau Roxo, Angelim Rajado, Pau Amarelo e Acapu. Para o entalhe, são utilizados o Cedro e o Mogno. Podem ser feitos objetos de decoração, móveis e adornos.

8. Tururi

Ubuçu (Manicaria saccifera) é uma palmeira da subfamília das Palmáceas, existente nas várzeas e ilhas da Amazônia. Em geral mede de 3 a 6 metros de altura. O invólucro que protege o cacho de cocos é constituído de uma espécie de saco, formado por um tecido fibroso flexível e resistente, denominado “tururi”. A fibra passa por processos de lavagem, descoloração e tingimento, ou é utilizada na cor natural, marrom-castanho. É usada na confecção de bolsas, sacolas, pastas, chapéus, bonecos, adornos e peças de vestuários.

9. Sementes

As sementes encontradas em abundância na região amazônica são usadas na confecção de acessórios de moda (pulseiras, brincos, bolsas, enfeites de roupa, cintos e outros). Entre as sementes mais usadas estão a Jarina, Olho de Boi, Tento Vermelho, Buriti ou Miriti, Patauá, Paxiubinha, Haarlen, Urucuri, Anajá e Caranã.

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