Artesãs fazem exposição com produtos de fibra vegetal

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São bolsas, brincos, colares e utensílios de decoração feitos a partir da fibra do jupati
 
Por: Divulgação
 
                                                   Foto: Moysés Cavalcante - Divulgação
 
Artesanato, moda e design marcam a exposição do lançamento da coleção de acessórios de moda e utensílios de decoração produzidos a partir da fibra do jupati por um grupo de artesãs do município de São Sebastião da Boa Vista, localizado no arquipélago do Marajó. O público poderá conferir modelos exclusivos de bolsas, brincos, colares e outros produtos na exposição “Mulheres de Fibra”, que será aberta no dia 26 de novembro, às 18h, no Polo Joalheiro do Pará/Espaço São José Liberto, em Belém. Os produtos expostos também serão comercializados durante o período da exposição, que segue aberta ao público até o 29 de novembro.
 
O projeto de ambientação da mostra é da arquiteta Terezinha Abrahim e mostrará as etapas do processo de manipulação da matéria-prima, desde o seu estado bruto até o produto final. O projeto do espaço foi concebido a partir da atmosfera do ateliê de produção, considerando as etapas produtivas de transformação da matéria bruta até a arte dos trançados. A ideia é trazer para perto do público esse universo ribeirinho, através de elementos como a haste do jupati in natura, a fibra bruta e outros elementos. 
 
                                                  Foto: Moysés Cavalcante - Divulgação
 
A exposição culmina com o lançamento de um site, onde o mundo poderá conhecer a rica história cultural e social do artesanato em fibra de jupati, bem como os produtos, que estarão disponíveis para compra. A proposta é que a visibilidade proporcionada pela internet fortaleça as expressões culturais importantes do estado do Pará, que hoje ainda são pouco conhecidas e valorizadas tanto regional quanto nacionalmente.
 
O coletivo de 11 artesãs compõe o projeto intitulado “Mulheres da Fibra do Jupati: tecendo a vida com arte” e conta com o apoio do Ministério da Cultura (MinC), por meio do Programa Amazônia Cultural. O grupo foi formatado com o objetivo de fortalecer as redes de produção do artesanato na região, buscando aumentar o raio de circulação do produto. A proposta é que a arte em fibra do jupati alcance mais mercado tendo seu valor social e cultural ampliado.
 
O grupo Arte em Fibra de Jupati é encabeçado pela mestra artesã Maria do Socorro Gomes Ferreira, 40. Além do artesanato, a criadora do projeto vive da pesca de camarões e da extração do fruto do açaí, atividades de substância, que fazem parte da realidade de outras mulheres e homens do município. A prática da pesca e do artesanato, com sua venda como complementação da renda, dá mais autonomia a essas mulheres.
 
Assim como Socorro Ferreira, as outras participantes do projeto também receberam conhecimento das veteranas no ofício, sendo essa prática exclusivamente de mulheres, ficando a cargo dos homens a extração da matéria prima na natureza. Do jupati também é extraída a tala, que serve para produzir matapi (objeto usado na pesca do camarão), abajur, entre outros objetos.
 
A formação de Maria do Socorro na arte de tecer o Jupati se deu por conhecimentos herdados, que foram transmitidos por gerações de mulheres. Como muitas meninas, aprendeu o oficio ainda jovem, aos 15 anos, com a sogra. É reconhecida na comunidade pela qualidade nos acabamentos e desenhos criados durante a tessitura, que expressam toda uma identidade cultural e vivência cotidiana ribeirinha própria dessa localidade. São iconografias diversas e peculiares.
 
Qualidade de produção e mundo digital
 
Às margens do rio Pirarara, que banha o município, as artesãs continuam a perpetuar esse saber-fazer tradicional, que remonta a tempos imemoráveis. De 2004 a 2006 elas receberam consultorias pelo Projeto Turismo Amazônia no Marajó, do Serviço Brasileiro de Apoio aos Micro e Pequenos Empresários (Sebrae-PA). Em 2011 receberam capacitação pelo Projeto Território da Cidadania no Marajó, também do Sebrae.
 
A capacitação tem ajudado as artesãs a melhorar a qualidade e a diversidade dos produtos gerados a partir do artesanato, o que tem renovado a visão dessas mulheres acerca da prática. Foi em 2012 que elas firmaram-se como coletivo com o intuito de levar a sua arte ao maior número de pessoas possível.
 
O grupo Arte em Fibra de Jupati é formado por Rosabeth Martins Costa, Rosa Maria Ferreira, Marly do Socorro Naum, Marlene Naum Costa, Maria Gorete Martins, Marisa Rocha, Marília Rocha, Renata Costa, Liliene Veiga, Raylana Costa, Érica Cunha Soares e a proponente do projeto Maria do Socorro.
 
Hoje, as artesãs contam com uma página no Facebook – “Arte em Fibra de Jupati” – e no Instagram, seus primeiros contatos com o mundo digital. Uma relação interessante que tem aproximado cada vez mais essas mulheres de outras pessoas que sequer conheciam o artesanato.
 
Pesquisa e divulgação cultural
 
Além do sucesso nas redes sociais, por onde recebem até encomendas, o artesanato das mulheres boavistenses chegou a ser objeto de pesquisa. Uma delas foi elaborada em 2011 e intitulada "Design de superfícies e tradição artesanal: produtos inspirados nas iconografias em fibra de jupati de São Sebastião da Boa Vista - Marajó". A pesquisa de conclusão de curso foi elaborada pelas alunas Manoela Costa e Vanessa Simões, pelo curso de Bacharelado em Design da Universidade do Estado do Pará (Uepa).
 
No período de 2011 a 2013, as mulheres participaram da pesquisa de mestrado intitulada "Mulheres entre Enfeites e Caminhos: Cartografias de Memórias em Saberes e Estéticas do Cotidiano no Marajó das Florestas (S.S. da Boa Vista-Pa)", da professora, arquiteta e designer Ninon Rose Jardim, pelo Programa de Pós-graduação em Artes da Universidade Federal do Pará (UFPA). Elas também fizeram parte do documentário "Mulheres de Fibra, Mulheres da Fibra",  que mostra como se dá o saber-fazer dessa arte, sendo criado como parte da pesquisa de mestrado de Ninon Jardim e produzido pela Life Vídeo. 
 
Na divulgação do artesanato em fibra de jupati, o coletivo já participou de eventos diversos, como a Feira do Empreendedor, em 2012, onde os produtos foram expostos no estande do projeto "Sebrae/PA no Território da Cidadania no Marajó"; composição de vitrine através de confecção de mantos com o tema do Círio de Nazaré de 2013; e exposição fotográfica e de comercialização "Dessa fibra teço o mundo", realizada na Escola de Teatro de Dança da Universidade Federal do Pará (ETDUFPA), em 2013. O grupo também teve os seus produtos selecionados pelo edital Vitrines Culturais, do MinC para comercializá-los nos estados da Copa do Mundo.
 
Os produtos artesanais do coletivo Arte em Fibra de Jupati são vendidos na Casa do Artesão do Espaço São José Liberto (Belém-PA), onde também serão expostos para venda os acessórios de moda do grupo.
 
Serviço - Exposição 'Mulheres de Fibra', do Grupo Arte em Fibra de Jupati. Abertura no dia 26 de novembro de 2015, às 18h, no Espaço São José Liberto/Polo Joalheiro do Pará - Praça Amazonas, s/n, Jurunas, Belém-Pará-Brasil. A mostra ficará aberta ao público até o dia 29 de novembro. Entrada franca.
 
 
Ascom Igama


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Espaço São José Liberto - Praça Amazonas, s/n, Jurunas, Belém-Pará-Brasil. Fone: (91) 3344-3500 e (91) 3344-3514.
Horário de visitação: terça a sábado, de 09 às 18:30h; domingos e feriados, de 10h às 18h.