Polo Joalheiro do Pará ressignifica os desafios da capacitação profissional na economia criativa

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Em 2015, a meta é capacitar cerca de 700 empreendedores com execução de carga horária de 300 horas.
Foto: Ascom Igama

As ações de qualificação profissional e de mercado do programa visam incrementar a competitividade e o fortalecimento das competências criativas e capacidades empreendedoras. Em 2015, a meta é capacitar cerca de 700 empreendedores com execução de carga horária de 300 horas. O Programa Polo Joalheiro do Pará desenvolve, além da agenda de qualificação profissional, uma extensa agenda de exposições e feiras, em parceria com agentes e instituições promotoras do desenvolvimento econômico do estado e do Brasil.O Programa Polo Joalheiro do Pará – Espaço São José Liberto (ESJL), dando continuidade à agenda de 2015, promoveu, de 24 a 26 de junho, no auditório do espaço, o curso “Outro olhar: a ressignificação do presente no design de joias contemporâneas”, com a designer paraense Clarisse Fonseca. A ação integra a agenda de qualificação profissional do Polo Joalheiro que, desde a sua criação, em 1998, adota estratégias para promover a profissionalização dos segmentos de joia e de moda, sendo destinada a empreendedores criativos participantes do programa e do Arranjo Produtivo Local (APL) de Gemas e Joias do ESJL, além de acadêmicos da área de moda oriundos de instituições parceiras.

Dentro da programação anual de capacitação profissional de 2015, foram planejadas palestras, seminários, oficinas, cursos, workshops e encontros técnicos com a perspectiva de integrar tecnologias novas e clássicas, bem como conteúdos culturais e técnicos. Cerca de 50% destas ações já foram executadas.

De acordo com a diretora executiva do Instituto de Gemas e Joias da Amazônia (Igama) e do ESJL/Polo Joalheiro, Rosa Helena Neves, a realização de workshops de geração de produtos é um exemplo de estratégia para promover e agregar valores de diferenciação da cultura local nas joias e acessórios de moda que serão criados para as novas coleções (2015/2016), a partir da reflexão sobre temas contemporâneos, como o lugar, o tempo, o mundo virtual e os valores de uma sociedade recombinada que também se pauta na diversidade.

“Pretendemos comunicar quais os valores que estão agregados a nossa nova coleção. Já desenvolvemos temáticas diversas, como a água, as lendas e a botânica. Hoje, outros temas são importantes de serem refletidos na produção de joias. Criamos e produzimos uma joia que reflete comportamentos e atitudes que ressignificam a sociedade, a história e a cultura”, explica Rosa Helena Neves.

Nesse sentido, foi realizado, em meados de junho, o Workshop Coleção de Joias 2015/2016, que prestou 28 atendimentos. Os alunos tiveram a oportunidade de trabalhar, individualmente, os conceitos de cada coleção, dentro de um tema geral e a partir de contribuições de abordagens com as quais a consultora do workshop, Regina Machado, do Rio de Janeiro, tem trabalhado.

A consultora trabalhou conceitos que envolvem o campo da comunicação, não só do design dos produtos, mas da construção do valor e do sentido identitário (qualidade que diz respeito à identidade, aquilo que identifica uma pessoa ou grupo) das peças, visando aumentar a competitividade no trânsito comercial. “Pensei em uma abordagem que pudesse ser originalmente paraense, amazônica, mas que possibilitasse um entendimento universal. É importante trabalharmos conceitos que possibilitem a criação de peças com inspirações locais, mas que possam emocionar globalmente”, comentou a consultora, que levou para os alunos a reflexão sobre o conceito “Design Global Contemporâneo”.

Regina Machado é arquiteta, mestre e doutora em Comunicação. Ela presta assessoria para algumas instituições, como o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais preciosos (IBGM), e já assinou a consultoria de outras coleções de joias e acessórios de moda do Polo Joalheiro do Pará. O resultado do workshop e de outras ações do programa poderá ser visto na “I Mostra Amazônia Design”, prevista para novembro deste ano, no ESJL, quando serão lançadas coleções de joias e acessórios de moda.

A consultora Regina Machado atende a designer Ivete Negrão.Foto: Ascom Igama

Ressignificação - Para Ivete Negrão, designer de joias e de acessórios de moda do Polo Joalheiro, que participou dos cursos com as consultoras Regina Machado e Clarisse Fonseca, as atividades são prazerosas e enriquecedoras, especialmente, pelo fato das ministrantes conhecerem de perto o trabalho desenvolvido pelo programa.

“A Regina sempre ajuda a engrandecer o nosso trabalho. Ajuda tanto a gente que não sentimos dificuldades para entender o conteúdo porque ela se expressa de forma bem fácil, nos atualizando das informações e facilitando a nossa pesquisa para, depois, podermos colocar tudo em prática, com adequação as nossas matérias-primas e mão-de-obra, realidade que ela conhece bem. Da mesma forma, a gente só espera o melhor da Clarisse, que sempre traz informações de fora e muito conhecimento”, comenta Ivete Negrão. 

De acordo com Brenda Lopes, designer de joias e acessórios de moda do Polo, o workshop com a consultora Regina Machado foi interessante pelo tema abordar um universo mais íntimo, mais identitário. “Acho essa abordagem ótima para a ‘I Mostra Amazônia Design’. Sobre o curso com a Clarisse, ele nos deu outro olhar sobre o produto, joias e acessórios de moda, também na contemporaneidade. Ambas nos mostram muito conteúdos e quesitos importantes na hora do saber fazer”, pontua.

Atendimentos personalizados: a designer Brenda Lopes (e) com Regina Machado (d). 
Foto: Ascom Igama

Graduada em Design, mestre em Artes e doutoranda em Design pela Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Clarisse Fonseca prestou consultoria ao Polo Joalheiro por vários anos, antes de viajar para a capital carioca, em 2014. O curso “Outro olhar: a ressignificação do presente no design de joias contemporâneas”, segundo ela, foi pensado para estimular e proporcionar mais diálogo entre os designers, que vivem em um ritmo de criação muito intenso.

“Foi uma oportunidade para refletirmos sobre em que momento estamos na nossa própria produção de joias e acessórios contemporâneos para, a partir daí, propor uma reflexão sobre o processo criativo e sobre como nos percebemos nele”, avalia Clarisse Fonseca, em relação a esse despertar para dentro quando tantos se preocupam em procurar tendências e o que está fora. “As pessoas dialogaram muito aqui, trocaram anseios, desejos e conclusões positivas de tudo o que contraíram junto com o Polo Joalheiro, enquanto imagem, identidade e produto joia e acessório de moda”, completou.

A consultora Clarisse Fonseca abordou "outros olhares" para joias e acessórios contemporâneos. Foto: Ascom Igama

Cerca de 30 pessoas participaram do curso, entre segmentos de moda e de joia, incluindo, além dos integrantes do programa, acadêmicos da área de moda das seguintes instituições parceiras: Instituto de Estudos Superiores da Amazônia (Iesam), Estácio de Sá – FAP, Universidade da Amazônia (Unama), Universidade do Estado do Pará (Uepa) e Faculdades dos Estudos Avançados no Pará (Feapa).

Segundo a direção do Programa Polo Joalheiro do Pará, parcerias com instituições de ensino que oferecem cursos voltados para a área de Desing têm sido fortalecidas no sentido de construir um “laboratório de trocas de experiências” que permitam a concretização de workshops, concursos, desfiles, oficinas, exposições, feiras, dentre outras iniciativas que visam oferecer ao estudante de design a experiência real de um empreendedor. 

Consumo consciente - Além do incentivo aos novos criadores, segundo a diretora Rosa Helena Neves, o Polo Joalheiro tem apoiado e pretende continuar estimulando iniciativas para a geração, criação e circulação de produtos sustentáveis, como, por exemplo, as gemas vegetais e as joias geradas por processos de aproveitamento de subprodutos e resíduos da ourivesaria, com destaque para a coleção “Metal-morfose”, lançada em 2014, projetos desenvolvidos pelo mestre ourives e pesquisador Paulo Tavares.  

"Cores dos Minerais", maxicolar em prata com incrustação paraense. Criação de Argemiro Munoz, integra a coleção "Metal-morfose", que destaca a inovação do mestre ourives e pesquisador Paulo Tavares. Foto: Igama Divulgação

A preocupação com o consumo consciente é uma nova área de estudo e investimentos da agenda anual do programa. A proposta consiste em oportunizar ao público consumidor de joias o acesso gratuito a cursos que promovam conhecimento sobre o assunto, abrangendo temas como a preservação de joias. Os cursos que serão oferecidos no segundo semestre permitirão a este consumidor a rara experiência em compreender alguns processos de criação e produção de joias e quais são os requisitos necessários para efetivar uma compra justa de joias.

Cursos específicos e inéditos, como o de Acabamentos em Joias e o de Precificação, também foram incluídos na agenda, com o objetivo de buscar soluções para problemas comuns e persistentes na produção e comercialização das joias, que podem comprometer a qualidade do produto e do serviço.

Outro foco da agenda é o aperfeiçoamento dos “métiers” (meio específico de uma determinada categoria profissional), dentre eles, o trançado em fibras, as gemas vegetais e a ourivesaria artesanal, bem como dos workshops de geração de produtos, que estimularão a pesquisa de inovações com matérias-primas e conteúdos culturais na criação e produção de joias artesanais.

Rede de parceiros - Com crescente reconhecimento dentro e fora do Pará, a joia artesanal produzida na região tem favorecido, direta e indiretamente, designers, ourives, lapidários, produtores, entre outros profissionais. Para alcançar estes resultados, é essencial a promoção de atividades que gerem o aprimoramento do olhar e o estímulo à capacidade criativa dos empreendedores, atualizando-os sobre mercado, novas tendências, técnicas e conceitos. 

Para a execução dessas estratégias e diretrizes foram firmadas parcerias entre o Governo do Estado - por meio da mantenedora do Polo e do ESJL, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), e da OS gestora do programa e do espaço, o Igama – e uma rede de instituições que têm atuação nessas áreas técnicas, como o Serviço Brasileiro de Apoio aos Micro e Pequenos Empresários (Sebrae), o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM) e instituições públicas e particulares de ensino superior do Estado.

Com esse foco, as atividades de qualificação, projetadas para 2015 e 2016, têm priorizado a profissionalização de novos criadores nas áreas de design de joias, moda e demais segmentos destes setores criativos. Para estas ações foram agrupadas atividades como ciclos de palestras, seminários, oficinas, cursos, workshops, consultorias e encontros setoriais de joias e moda.

Para o ano de 2015 foram construídas agendas integradas com o Sebrae nas seguintes áreas: qualificação profissional, gestão e mercado, inovação e gestão tecnológica, com perspectiva de assegurar o aperfeiçoamento e avanço de inovação na produção de joias sustentáveis.

 

A direção do Igama/ESJL informa, ainda, que o investimento na melhoria da qualidade dos produtos continua na pauta da agenda anual, onde estão mantidas atividades de avaliação das joias da loja incubadora (Loja Una) e será criado um serviço da mesma natureza para o setor de moda. Atualmente, existe um espaço reservado para a comercialização destes produtos, situado na Casa do Artesão do espaço, que deve ser ampliado para se tornar, posteriormente, uma loja de acessórios de moda.  

Serviço

Mais informações sobre a programação da Agenda 2015/2016 do Programa Polo Joalheiro do Pará com o Núcleo de Desenvolvimento Tecnológico e Organizacional (NDTO) do Igama, nos telefones: (91) 3344-3518 e 3344-3500.

Ascom Igama



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Espaço São José Liberto - Praça Amazonas, s/n, Jurunas, Belém-Pará-Brasil. Fone: (91) 3344-3500 e (91) 3344-3514.
Horário de visitação: terça a sábado, de 09 às 18:30h; domingos e feriados, de 10h às 18h.