Milão reverencia joia de Bárbara Müller

Trabalho da designer recebe menção honrosa em evento na Itália  

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Elemento representativo da cultura de um território, a joia produzida no Pará tem revelado talentos e conquistado reconhecimento mundo a fora. Joias que comunicam a diversidade cultural da Amazônia e repertório contemporâneo levaram Bárbara Müller, designer de joias e acessórios de moda, a receber menção honrosa no "Artistar Jewels EXHIBITION", evento internacional realizado em dezembro de 2014.           

Designer Bárbara Müller. Foto: Tereza Maciel    
 
As joias de Bárbara fizeram parte da exposição organizada no Spazio Maimeri, em Milão, na Itália. Entre os trabalhos de 100 criadores e designers do mundo inteiro, estavam duas criações da designer paraense: o bracelete “Saturn’s” e o maxicolar “Pulmões do Mundo”. As peças foram selecionadas por um júri especializado e expostas para o público no espaço multicultural, que reuniu 240 joias assinadas, marcadas pelo refinamento e criatividade no design e na composição, perfeitas representações da joalheria contemporânea mundial.                                                   

Em prata, madeira e gema mineral pirita, o bracelete “Saturn’s” mostra um traço forte do trabalho da designer, que é a utilização da madeira, talhada junto outras matérias-primas, como o metal nobre, que pode se incorporar ao desenho da joia ou ser usado como um detalhe na peça. 
Maxicolar Pulmões do Mundo, criação de Bárbara Müller. Foto: Diego Arruda
Bracelete “Saturn’s”, em prata, madeira e gema mineral piritaFoto: Diego Arruda
 
O trabalho criativo da artista recombina de forma harmônica elementos diferentes, conseguindo imprimir uma delicadeza singular nas joias e acessórios criados por ela. É o que se vê no maxicolar “Pulmões do Mundo”, criado em prata com samambaia seca. A joia comunica com beleza e originalidade a mensagem da importância da floresta como garantia da sobrevivência humana. Com o tempo as folhas secas vão se deteriorando, até restar apenas a parte central em prata, como forma de expressão artística. 
 
Ao lançar mão de material característico da região amazônica, entre eles madeira e gemas minerais, inspirando-se em sua biodiversidade, a temática das joias da artista comunica, em cada detalhe, esse desejo de harmonia entre homem e a natureza. Com design contemporâneo, o trabalho autoral de Bárbara Müller tem essa relação direta com a cultura da Amazônia. Em suas criações podem ser encontradas representações de flores tropicais e da fauna. São onças, araras e até formigas, animal que reflete uma relação forte com a natureza e, ao mesmo tempo, com a vida moderna, por se adaptar bem aos ambientes urbanos. 
 
Talvez tenha sido a combinação de talento com todos esses elementos identificados que tenha colocado Bárbara Müller entre os 100 escolhidos do “Artistar Jewels EXHIBITION". Ao lado de suas criações estavam joias de criadores e designers dos Estados Unidos da América (EUA), Japão, Reino Unido, Canadá, Holanda, Crozia, Itália, Alemanha, Colômbia, Peru, Holanda, Grécia, Roménia, Costa Rica, França, China, Austrália, México, Brasil, Lituânia, Suécia, Letónia, Espanha, Nova Zelândia, Bulgária, Hungria, Suíça e Taiwan.

Destaque

    Colar "Vita Opressa". Foto: ivulgação Bijoux D'Autore

O concurso promoveu três categorias de premiação com dois selecionados para cada uma: "Artista" "Designer" e "Ourives". Ao final, foi anunciado que havia uma premiação honrosa especial para a designer paraense, selecionada devido à forte identidade cultural expressa de forma contemporânea nas suas peças. O momento em que recebeu, na capital da moda e do design, a homenagem do "Artistar Jewels EXHIBITION", foi para Bárbara, “indescritível”. 
 
A premiação honrosa especial destinada a ela foi entregue ao final da exposição, realizada entre 17 e 23 de dezembro. Mas o primeiro contato com a organização da exposição, aconteceu semanas antes. A designer lembra que foi contactada via e-mail, o que chegou a deixá-la um pouco desconfiada: “A gente até perde a noção da repercussão do nosso trabalho. Mas, logo em seguida, vi que era uma empresa internacional séria e fiquei muito feliz com a seleção”. 
 
Estar entre os 100 criadores e designers selecionados entre países de todo o mundo significou uma “grande honra” para Bárbara Müller, enquanto profissional. “Como pessoa, ainda não ‘caiu a ficha’. É como se ainda estivesse vivendo um sonho. Lido com meu trabalho com muito amor e seriedade e, desse modo, sinto que ele tem conquistando cada vez mais espaço, mas jamais esperava algo nessas proporções para agora”, revela.
 
Emoção
A modelo Débora Macdowell usa maxicolar “Pulmões do Mundo” e bracelete "Saturn's" (abaixo). Assistência e tratamento de imagens Aryanne AlmeidaFotos: Tereza Maciel

As criações de Bárbara Müller já foram exibidas em quase todos os continentes, em eventos realizados em países como a França e Portugal, seja por meio de convite, por iniciativa própria ou em parceria com empresas e com o Programa Polo Joalheiro do Pará, mantido pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) e do Instituto de Gemas e Joias da Amazônia (Igama). 
 
Natural de Ji-Paraná, Roraima (RO), Bárbara se considera “paraense de coração”. Ela ingressou em 2010 no Programa Polo Joalheiro do Pará, criado em 1998 como ação estratégica de apoio ao Design de Joias. O programa contempla as diversas etapas da gestão do design, incluindo a inspiração, criação, produção, promoção e comercialização, criando uma tradição que, até então, não existia no Estado do Pará. 
 
Hoje, além de participar das exposições, capacitações profissionais e outras iniciativas do Polo Joalheiro do Pará, a designer também é consultora do programa, onde assina a ambientação de exposições, mostras e outros eventos. 
 
Comecei o envolvimento com as joias através do Polo Joalheiro do Pará, onde fui amadurecendo essa paixão por esse universo artístico criativo das joias. Foi também onde tive as primeiras oportunidades, nacionais e internacionais. Daí em diante, só fui conquistando cada vez mais espaço”, conta. 
 
Conquistar espaço no Brasil e fora dele, entretanto, não é tarefa fácil, mas os produtores de joia do Estado, observa a designer, têm conseguido, com maestria, obter bons resultados. As joias criadas e produzidas aqui, segundo ela, têm personalidade e alta qualidade, e têm despertado o interesse de consumidores do mundo inteiro. “Uma joia artesanal tem características peculiares; uma joia dificilmente vai ser igual à outra, pois são feitas uma a uma.". 
 
De acordo com a Bárbara, sua produção tem sido bem absorvida por determinado público, tanto no Brasil como no exterior "Essa parte do processo de acompanhar a reação e o deslumbre de quem compra é a minha parte favorita e que faz valer todo o resto”, destaca. Segundo a designer, as pessoas estão reconhecendo e se envolvendo cada vez mais pelo trabalho extremamente único da produção de uma joia, “se interessando por analisar milimetricamente suas características antes de comprar, identificando o seu design, que é pensado desde o início, com matéria-prima diferenciada, pedras únicas, envolvendo várias histórias e transformações no seu processo produtivo”. 
 
Trajetória de sucesso 
Brinco e bracelete “Tropicália”, Modelo Stephanie Mora.
Foto: Luiza Cavalcante
Graduada em Design de Produtos pela Universidade do Estado do Pará (Uepa), Bárbara Müller conta que já participou de diversas exposições locais, nacionais e internacionais. Uma delas foi a "Vogue Fashion's Night Out", que aconteceu no Rio de Janeiro, em 2013, quando ela foi convidada pela jornalista de Moda Cristina Franco para participar do evento. Suas peças foram publicadas em sites e revistas londrinas, por meio de parceria estabelecida com a empresa Caipora Jewellery de Londres UK (2013-2014).
 
A designer também ressalta a importância da função social dentro do trabalho de criação. "Criamos para o outro e queremos levar coisas boas para as pessoas. Cumprir essa função para uma diversidade maior de pessoas e ver o sucesso de nossas iniciativas, aqui e lá fora. Dá uma sensação impagável de missão cumprida", resume Bárbara, que, desde criança, já demonstrava forte afinidade com a natureza e o ato de criar. 
 
Ela recorda passou a maior parte de sua infância subindo em árvores, encantando-se com o chão cor-de-rosa do jambeiro, caçando joaninhas, grilos e soldadinhos para guardá-los em pequenos potes, onde os admirava o dia inteiro para depois devolvê-los à natureza. A ludicidade de ambientes naturais sempre a instigaram mais do que qualquer brinquedo comum. 

Hoje, aos 26 anos, todo esse referencial se transpõe em suas criações, onde o Norte, o Pará e a Amazônia destacam-se. "A Amazônia é uma fonte riquíssima de inspiração, pelos mistérios, pela beleza e pela quantidade de materiais disponíveis; é um grande privilégio poder estar tão perto disso tudo. Acho que o design brasileiro, de um modo geral, carrega uma espontaneidade muito peculiar, pelo próprio modo de levar a vida, alegre, de forma livre, sem muitas regras, com paisagens únicas para se inspirar. É isso que as pessoas procuram nas joias e é, exatamente, o que acham no ‘made in Brazil’”, explica.
 
Bárbara Müller teve duas de suas criações, o colar “Pequenas Formigas” e o brinco “Tropicália”, referendadas no Preview Design de Joias e Bijuterias 2014, último caderno de tendências lançado pelo Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), com patrocínio do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Ela foi a única designer paraense a ter peças nesta edição do catálogo do IBGM, que teve como tema “Chiques Trópicos, o Charme Brasileiro”. 
 
Além do trabalho autoral, a designer já atuou como consultora em uma comunidade ribeirinha localizada no interior do Pará, no premiado projeto “Esse Rio é Minha Rua”, onde utilizou o design como ferramenta criativa, ecológica e de fonte de renda alternativa. “Os trabalhos de consultoria em comunidades no interior do Pará vieram para somar e imprimir uma autenticidade maior ao que faço, ao conhecer melhor a realidade da Amazônia, as sua histórias, matérias-primas diferenciadas e tantas inspirações”.
 
Recentemente, também como consultora, esteve na comunidade ribeirinha quilombola de Jenipaúba, e também no município de Ponta de Pedras, no Marajó, através da extinta Fundação Curro Velho, o que gerou a criação de uma coleção de joias sustentáveis com matéria-prima formada por resíduos naturais locais. 
 
Para Bárbara Müller trabalhar com comunidades é sempre uma troca de saberes enriquecedora, um mergulho na cultura popular brasileira. “Normalmente, são produtos e pessoas com um potencial enorme e que, às vezes, só precisam de um simples toque para serem melhor absorvidos pelo mercado”, observa a designer, com a experiência de quem já realizou mostras individuais e em grupo no país e no exterior e teve joias expostas na Rio +20, no Copacabana Palace, em 2012, quando também participou de uma exposição em Roma, na Galeria de Arte Zanon, à convite de Claudio Franchi e Steffano Ricci. 
 
Entre as mostras internacionais estão, ainda, a "Arte Brasilis", realizada em Roma, em 2012. O maxicolar “Vitta Oppressa” (Vida Oprimida), composto por fibra de buriti, semente de paxiubão, tela de arame e samambaia seca, está no acervo permanente no Museo di Casalmaggiore, situado em Roma. A peça foi criada por Bárbara para o “Bijoux d’Autore 2012". O concurso valorizou as peças não só como joias ou adornos, mas como objetos de arte. Mais uma vez, a diferenciação do material utilizado e a inspiração no cenário amazônico, aliadas ao talento criativo da designer, contribuíram para destacar seu trabalho no cenário internacional.

Contatos:
Barbara Müller - Designer
Telefone: 0xx91-981860563
E-mail: barbaramuller1@hotmail.com / design.barbaramuller@gmail.com
 
Onde encontrar mais informações sobre o trabalho de Bárbara Müller:
 
 
 
http://vimeo.com/48700352 (release sobre o trabalho)
 
 
http://www.youtube.com/watch?v=v8kE6GD0WWE (Assinatura de figurino e jóias da Lia Sophia)
 
http://www.emmabreden.com/portfolio6.htm (Release Caipora, Londres)
 
Ascom/Igama


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