Alunas da Uepa são classificadas no maior concurso de design de joias em ouro do mundo

Designer de joias Brenda Lopes.
Foto: Sidney Oliveira/Agência Pará
Quatro alunas do curso de Bacharelado em Design da Universidade do Estado do Pará (Uepa) tiveram seus projetos selecionados na etapa classificatória da 11° edição do AuDITIONS Brasil 2014/2015 – o maior concurso de design de joias em ouro do mundo, promovido pela mineradora de ouro AngloGold Ashanti. Os trabalhos das universitárias ficaram entre os 100 melhores do mundo, nesta temporada. A lista “Top 100” foi divulgada no dia 1º de dezembro. O tema desta edição do concurso é “Recombinações” e trata de ideias, elementos ou conceitos que se juntam para criar um terceiro completamente novo. O conceito é de perpetuação da lógica da inovação, tão característica de nosso tempo. Em todo o Brasil, 905 projetos foram enviados de todas as regiões. O Pará teve 46 inscrições.
 
Sob a coordenação da professora, designer de joias e chefe do Departamento de Design Industrial, Rosângela Gouvêa Pinto, as universitárias Isabella Brito, Hanna Rezende, Yasmin Campelo e Thaise Farias criaram seus projetos e passaram por uma preparação especial para participar do concurso. “Tudo começou com um planejamento da minha disciplina, Projeto de Produtos 3, com a expertise em design de joias. Então, no primeiro momento trabalhamos com toda a base conceitual da joalheira, das joias, do design e depois, a entrada no concurso. Um dos requisitos de avaliação da disciplina seria a inscrição no concurso. Mandamos 35 projetos e estes quatro ficaram entre os finalistas. Essa indicação é muito importante, principalmente por estarmos falando de alunas do segundo ano. Elas estão no meio do curso e já obtiveram êxito, conseguiram se destacar”, ressalta Rosângela Gouvêa Pinto.
 
A universitária Isabella Brito, de 19 anos, conta que a experiência tem sido especial. A jovem enviou duas peças para a organização do evento e teve uma selecionada. Entretanto, na hora da inscrição, por um erro de digitação, a jovem acabou se inscrevendo na categoria de profissional de designers. O talento prevaleceu diante da inexperiência. “Nem sei dizer qual a peça que foi escolhida. Mas para que chegasse até ela, pesquisei muito. Toda semana mostrava uma ideia nova à professora. Jurava que estava me inscrevendo na categoria Revelação, mas por algum erro na hora de eu clicar no sistema, acabei me inscrevendo na categoria Designer. Me inscrevi enganada e fui classificada no meio dos profissionais. Isso é muito bom, né?! Já estou bem feliz de estar selecionada entre as 80 designers da categoria”, explica Isabella.
 
Thaise Farias, de 22 anos, é outra aluna que impressiona pela desenvoltura em concursos. No semestre passado ela obteve o terceiro lugar no concurso nacional Estampa Brasil, de designer de superfícies. Neste semestre, a acadêmica do 3° ano e monitora emplaca uma nova indicação nacional em concursos, por sua criação agora na área de joias. “O tema deste ano foi muito bom e ao mesmo tempo muito aberto. Recombinações é recombinar o que? Não é só escolher um material e costurar com o outro, por aí fica a coisa sem conceito. Então tivemos que trabalhar muito essa questão. No meu caso é uma vestimenta inspirada no crinoline, que era usada antigamente para dar suporte nos vestidos e dava ênfase à silhueta feminina, mas utilizando a estética com o amazônico, com a cestaria. Um tema complicado”, conta Thaise.
 
Isabella Brito, Thaise Farias, professora Rosângela Gouvêa Pinto, Hanna Rezende e Yasmim Campelo.
Foto: Sidney Oliveira/Agência Pará
Yasmin Campelo, de 20 anos, foi outra que teve sua produção selecionada pelo AuDITIONS Brasil, na categoria Revelação. “Entre os vários projetos que fiz, escolhemos um inspirado nos vitrais, que tinha maior possibilidade de ser selecionado, feito em ouro com resina sintética. O conceito é de uma peça, uma vestimenta que foi feita para usar nas costas, que reflete hoje a mulher moderna e o seu cotidiano. Então, são vários fragmentos que representam as atividades da mulher contemporânea”, explica Yasmin.
 
Para Hanna de Rezende, também aluna da Uepa, a classificação foi uma agradável surpresa. “Fui pega desprevenida com a seleção da minha peça. É um colar, inspirado na lenda da Cobra Grande, com vários pingentes de ouro e o encauchado da Amazônia dentro. Tive que elaborar a peça pensando nas questões técnicas, como o sombreamento e o tamanho. Se eu conseguir ser escolhida será um sonho, de poder ver mesmo a peça sair do papel. Contudo, estar entre os 100 selecionados já é uma grande conquista”, diz a universitária.
 
Segundo a chefe de departamento de Design Industrial, da UEPA, Rosângela Gouvêa, o Pará assume cada vez mais um papel de destaque nos ramos de joalheria e design. “Com a criação do curso e o investimento tanto da própria instituição quanto do Polo Joalheiro pudemos nos inserir no processo de qualificação, nas exposições e agora os alunos contam com um local para experimentação de mercado. Eles fazem estágios, participam dos eventos e isso tem incentivado muita gente a buscar essa área”, ressalta.
 
A segunda e última etapa do AuDITIONS Brasil 2014/2015 vai premiar três joias na categoria “Designer” e uma na categoria “Revelação”. Os vencedores e o título dos projetos serão divulgados no evento de premiação, marcado para maio de 2015. O concurso é uma referência global na área e oferecerá aos primeiros colocados prêmios que variam de R$ 5 mil a R$ 30 mil em barras de ouro.
 
Cenário promissor – A designer de joias Brenda Lopes, integrante do Programa Polo Joalheiro do Pará, também foi uma das selecionadas entre os 100 melhores trabalhos no AuDITIONS Brasil 2014/2015. “A peça selecionada foi colar o ´Ligação Eterna´. Uma peça que combina ouro e drusas de ametista. A inspiração veio da combinação de dois temas: moda e joias. É uma conexão entre os dois universos”, explica.
 
Brenda se formou em 2012 e tem participado de workshops e mostras, como a exposição “Joias de Nazaré 2014” e a mostra da “Coleção de Acessórios de Moda 2014”, inspirada na cultura alimentar amazônica e lançada no mês de maio, ambas promovidas pelo Polo Joalheiro. “Entrei no Programa do Polo Joalheiro em 2013, depois da avaliação do meu portfólio, e tem sido muito importante. O Pará é rico em minerais e este programa veio para impulsionar o setor, que tem um mercado em franca expansão”, afirma.
 
Espaço São José Liberto (Polo Joalheiro do Pará).
Foto: Sidney Oliveira/Agência Pará
De acordo com a diretora executiva do Espaço São José Liberto e do Programa Polo Joalheiro, Rosa Helena Neves, o investimento do estado foi fundamental para a construção do cenário de destaque na área do design de joias. “O Polo iniciou as atividades com o compromisso de desbravar, capacitar e instalar o mercado de design de joias. Temos uma trajetória de modelo de economia criativa muito interessante, onde se observa um mercado cada vez mais consolidado. A produção brasileira tem alcançado cada vez mais destaque nos Estados Unidos e Europa. Gerar um produto específico como esse, vinculado ao mundo do luxo, é um enorme desafio diante de um mercado que é considerado muito competitivo”, conta.
 
Outra três designers paraenses do Polo Joalheiro do Pará já foram finalistas do AuDITIONS Brasil, em edições passadas. Clara Amorim, Lídia Abrahim e Selma Montenegro receberam as indicações em 2006-2007, 2010-2011 e 2012-2013, respectivamente. Em outubro do passado, pela primeira vez, o Pará foi um dos três estados a receber a exposição itinerante das joias vencedoras do concurso, montada no anfiteatro Coliseu das Artes, no Espaço São José Liberto.
 
As 18 joias finalistas na ocasião destacaram a riqueza natural e cultural do povo brasileiro, e a atriz Taís Araújo foi escolhida a embaixadora do evento. O colar “Açaí”, criado pela designer paraense Selma Montenegro, que integra o Programa Polo Joalheiro do Pará, foi a única peça selecionada como representante da região Norte no concurso, que teve como tema a “Brasilidade”.
 
A versão brasileira do prêmio acontece desde 2002 e as joias finalistas, que evidenciam o ouro, passam a fazer parte do acervo da empresa, sendo expostas em diversos locais do Brasil e do mundo. O evento é realizado a cada dois anos no Brasil, China e África do Sul e propõe temas para a criação de joias originais, que traduzam a cultura local de cada país em que acontece a premiação.
 
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Ascom/Igama


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