Artesanato de balata ganha Reconhecimento de Excelência da Unesco

O artesanato de balata “Búfalo Montado”, criação do mestre Darlindo José de Oliveira Pinto, do Grupo de Mestres Artesãos de Modelagem em Balata, do município de Monte Alegre, oeste do Pará, foi agraciado com o certificado da 3ª edição do “Reconhecimento de Excelência da Unesco para os produtos artesanais do Mercosul+”. O Grupo de Monte Alegre, também formado por Oscarino Braga, Paulo Baía, Antonio Braga, Carlos Baía e Luiz Carlos, está vinculado ao Espaço São José Liberto, onde os mestres balateiros comercializam suas peças na Casa do Artesão.

A oficina da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em Montevidéu, capital do Uruguai, divulgou a notícia na última quinta-feira (2). As peças representativas do artesanato brasileiro foram selecionadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), por meio do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB).

Para mestre Darlindo Oliveira, que é presidente da Federação das Associações Cooperativas de Artesãos (Facapa) e presidente do Grupo de Trabalho Colegiado Artesanato, do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), vinculado ao Ministério da Cultura, o prêmio representa o reconhecimento de um trabalho desenvolvido há décadas e que, atualmente, só os seis integrantes do Grupo de Mestres Artesãos de Modelagem em Balata fazem profissionalmente. 

Darlindo conta que decidiu se inscrever no prêmio da Unesco por indicação do Programa de Artesanato do Brasil. O evento contou com a participação de 11 países, incluindo representantes de artesãos do Uruguai. Em uma pré-seleção foram escolhidos 13 trabalhos de artesãos brasileiros, sendo que apenas seis foram contemplados com o prêmio.

Para essa edição foram apresentados 96 produtos artesanais, sendo 26 da Argentina, 13 do Brasil, 26 do Chile, 13 do Paraguai e 18 do Uruguai. Os produtos foram selecionados pelos Comitês Nacionais e apresentados em evento realizado no período de 29 de julho a 1º de agosto, durante a ”Semana Internacional de Artesanato”, promovida pela Diretoria Nacional de Artesanato, Pequenas e Médias Empresas, do Ministério da Indústria, Energia e Mineração do Uruguai, e pelo Escritório da Unesco em Montevidéu. A seleção e avaliação foi realizada por jurados do México, do Peru e da Colômbia. 

“Agradeço pelo reconhecimento, que vai abrir muitas portas para a gente. Esse prêmio foi uma glória de Deus e espero que possa nos ajudar a levar esse conhecimento para comunidades distantes, onde a gente possa capacitar pessoas para trabalhar com esse artesanato, feito de uma matéria prima que não se encontra em qualquer lugar do Brasil”, ressalta o mestre, que tem 53 anos, dos quais 43 dedicados ao trabalho com a balata, arte que aprendeu ainda menino em Monte Alegre, onde nasceu. 

O artesanato de balata “Búfalo Montado”, criação do mestre Darlindo José de Oliveira Pinto, do Grupo de Mestres Artesãos de Modelagem em Balata, do município de Monte Alegre, oeste do Pará, foi agraciado com o certificado da 3ª edição do “Reconhecimento de Excelência da Unesco para os produtos artesanais do Mercosul+”. O Grupo de Monte Alegre, também formado por Oscarino Braga, Paulo Baía, Antonio Braga, Carlos Baía e Luiz Carlos, está vinculado ao Espaço São José Liberto, onde os mestres balateiros comercializam suas peças na Casa do Artesão.

MINIATURAS - O artesanato de balata é feito de uma goma elástica semelhante ao látex da seringueira, que permite a produção artesanal de objetos similares aos de borracha. As miniaturas lúdicas e decorativas atraem principalmente as crianças, pelo colorido e maleabilidade. As inspirações para as peças, destaca mestre Darlindo, são a fauna e a flora amazônicas, os costumes indígenas, as montarias do Marajó e as lendas e mitos da Amazônia.

Ele explica que a balateira, como a seringueira, é uma árvore da família das Sapotáceas, sendo que a balata é o látex da balateira, também conhecida como maparajuba (Manilkara bidentata). Darlindo ressalta que os balatais, locais onde se encontram as balateiras, só existem na Linha do Equador, do lado esquerdo do Rio Amazonas. A extração é feita nos municípios de Almeirim, Prainha, Monte Alegre, Alenquer e Óbidos, em áreas de preservação com autorização para a atividade extrativista. Já o artesanato de balata é específico da região de Monte Alegre.

Com a premiação, Darlindo Oliveira espera que o paraense conheça melhor o trabalho desenvolvido em Monte Alegre. Ele lembra que, em 2008, durante uma exposição em Bressuire, na França, na qual o artesão Oscarino Braga representou o grupo de balateiros, essa tipologia de artesanato foi muito elogiada. A “Balata: Amazônia em miniatura” está entre os 75 produtos de reconhecido valor cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Para Oscarino Braga, a confecção de artesanato em balata é uma arte única. "Todo o processo é com o material bruto, sem nada industrial. Os ensinamentos passam de pai para filho, e é tudo manual. Trabalhamos com tesoura velha, peças retiradas de relógio, pedaço de caneta, uma faca pequena e miçangas”, informa Oscarino, sem mencionar a principal ferramenta desse trabalho: a habilidade dos mestres, que lutam para deixar às novas gerações o legado dessa arte típica da Amazônia, geralmente moldada com destreza em uma bacia de água quente.


HISTÓRIA - O artesanato em balata beneficia, direta e indiretamente, 20 famílias de Monte Alegre, entre extrativistas, artesãos e familiares dos profissionais. A técnica, Darlindo Oliveira aprendeu, nos anos 1970, com o Mestre João Boi que, junto com Mestre Bejá, eram os únicos que criavam as miniaturas em Monte Alegre. Assim como Darlindo, Oscarino Braga também descobriu o artesanato em balata ainda na infância.

O processo de extração da balata é similar ao da borracha. O tronco da árvore é riscado, e o leite (látex) que sai é aparado e cozido, formando blocos. Os artesãos cortam e aquecem os blocos em banho maria para limpar e purificar a balata, e vão criando as formas desejadas em um processo denominado “modelagem em balata”.

Na forma final, as miniaturas ganham vários tons, desde cinza-claro até o rosado, com a utilização de pigmentos naturais, como urucum e cumatê. Atualmente, a tinta de tecido, que é antitóxica, também é usada na coloração das peças, que retraram papagaios, araras, cobras, jacarés, botos, tartarugas, canoeiros, vaqueiros do Marajó, apanhadores de açaí e tantos outros personagens da diversidade amazônica.

"Esse reconhecimento da Unesco ao artesanato paraense é um prêmio ao talento e à dedicação dos nossos mestres balateiros, que levam a todo o mundo o cenário amazônico em miniaturas. O artesanato do Pará é um dos mais criativos e diversificados do país, e a prova dessa qualidade vem na forma de reconhecimentos como este, da Unesco", destaca Thiago Gama, diretor Comercial do Instituto de Gemas e Joias da Amazônia (Igama), instituição que gerencia o São José Liberto em parceria com o governo do Estado, por meio da Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração (Seicom).



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